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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Os olhos e as fotografias

Fomos ver a roupa do ballet, ontem. Roupa maneira de dizer: o figurino.

A coisa toda já começou agitada, uma vez que a mãe da criança esqueceu da prova. Ok. Liga a professora: "tudo bem? Por acaso você esqueceu o teste da roupa da Aninha...?".

Esqueci. Mea culpa. Fomos para o ballet.

A Aninha, meu doce de abóbora com coco, quando eu pedi desculpas por ter esquecido:

- Tudo bem, mamãe. Eu também esqueci. Ainda bem que a Tia Dani ligou!

Tentei explicar a ela que, aos (quase) 4 anos, é mamãe que tem que lembrar. O senso de responsabilidade da Ana é muito precoce, e não adiantou muito dizer isso.

Chegamos lá com todo mundo já provado. É a nossa vez. E então a professora mostrou a roupa.

Eu acho que nunca vou esquecer essa coisa tão pequena e tão grande, "a primeira prova da roupa do ballet". Clara ficou esse misto de surpresa e felicidade, empolgação, ansiedade, tudo junto. Ficou olhando a roupa e sorrindo, com os lábios e os olhos, as mãozinhas tocando tão devagar no tecido como coisa muito preciosa que a gente tem até receio de encostar.

E aí vieram as perguntas:

- Gostou, Aninha?

- Que lindo, né, Aninha?

E ela só balança a cabeça, os olhos pregados no vestido. E depois no espelho, o vestido já no corpo dela.

- Faz assim, pra você ver a sainha pulando!

E a Ana faz assim pra sainha pular. A mãe derretendo aos pouquinhos - e nem era do calor.

Fico sempre dividida quando acontecem essas coisas. Queria ter uma foto do olhar da Ana ao ver o seu vestido. Mas será que eu queria ter uma foto do olhar da Ana ao ver o seu vestido? Talvez essa seja a lembrança mais completa - e a mais doce. A naturalidade de lembrar, permeada por todas as nossas sensações naquele momento. A sensação de ver minha filha mais próximo de algo que é importante pra ela, que ela quer muito, que foi a sua primeira decisão na vida - mamãe, quero fazer ballet... Ela quer ser bailarina - e eu o digo no sentindo mais despretensioso que pode haver: não no sentindo profissionalizante ou de grandes expectativas, mas no sentido do hoje. Hoje, a Ana quer ser bailarina. E ver o rosto dela, o brilho no olhar... Me valeu cada minuto dessa maratona de busca-veste-aprende a fazer coque.

- E o que você achou, filha?

- Lindo. Mas eu achava que aquela parte, assim, ia ser branca.

- É, mesmo? E agora, que você viu que é de outra cor?

- É mais bonito, ainda!


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