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sexta-feira, 21 de março de 2014

Quando não há paciência

É uma bosta. Não ter paciência, é uma bosta. E nem é coisa de que eu precisasse de paciência, nada disso. Ela estava tranquila, estava educada. Não teve birra, não teve manha, não teve quereres. Ela só queria brincar - e eu estava um caco.

Desde o momento em que você pega o exame de gravidez, a culpa dobra. Para duas pessoas, culpa em dobro. Mas a criança sai da barriga e a culpa continua lá, fica grande para um só...

Tudo dá culpa. Quando você está grávida, dá culpa aquele copo de coca-cola. Aquele chocolate. Aquela caminhada mais pesada, que deixou uma dorzinha no pé da barriga. E depois, dá culpa tudo que você come, se o bebê tem cólicas. Dá culpa fazer pé firme para educar. Dá culpa quando você perde as estribeiras e grita. Dá culpa quando você não quer brincar.

E a culpa que mais me dói, é a culpa de não dar atenção a ela.

Não que as outras coisas não deixem culpa...rs.

Mas atenção...é primordial. Que importa a Ana Clara que eu trabalhei o dia inteiro? Que significa para ela uma dúzia de engenheiros mal educados ou mal humorados e uma outra dúzia de obras problemáticas (porque quem já viu obra que não seja problemática, eu não conheço)? E eu estou cansada. E eu só quero dormir. E ela quer que eu seja o monstro, ela quer o livro, ela quer carinho. Ela quer que eu faça as unhas dela. E eu quero ficar com ela. Brincar com ela. Quero acarinhar e beijar e brincar, mas tudo me cutuca, tudo me incomoda, e eu estou uma companhia insuportável. Mas queria ser a companhia dela...

Não se pode querer ser super, vejo as revistas na banca que dizem que eu não tenho que ser uma "supermãe", exigir demais de mim mesma. Mas oras, desde quando isso é ser super? Desde quando é exigir demais? Estar com ela, é o mínimo. Não é nada demais. Não é que eu aprendi a nadar com golfinhos para entretê-la, é só sentar no chão e desenhar a Dora - e vocês tem que ver como ela é generosa com as nossas Doras de palito, "a Dora, mamãe, ficou linda!".

Hoje é outro dia. Hoje é um dia melhor. E eu vou driblar os engenheiros, as obras, o saco cheio, o cansaço e até a preguiça. E chegar até ela. Meu porto seguro, meu motivo.

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