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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Se tinha jeito de doer mais

A escola. Eu tinha medo da Ana ir pra escola. "Ela vai aprender coisas novas". Que argumento horrível. "Ela vai fazer amigos". Que argumento pior.

Já falei aqui da minha relação dúbia com este lugar. Da escola levo um marido, meia dúzia de amigos e meu melhor emprego. E uma série de complexos e mágoas. E, Deus, como eu queria proteger a Ana dessa parte...

Quantas vezes chorei na escola. Quantas! Hoje a minha Ana chorou pela primeira vez. Porque a amiguinha que ela quer, não a quer de amiguinha. Ela se faz as mesmas perguntas que um dia eu já fiz, "eu não sei por que". Ela usa a mesma lógica falha que eu já usei, "mas eu sou amiga dela!". Mas ela é ela, e nestes momentos eu simplesmente torço pra que ela lide com isso melhor do que eu lidei, mais sabiamente do que eu lidei.

Mas eu vi, hoje, mais uma vez, que é tudo verdade. Que nos filhos, dói mais. Que quando você pensa "tudo bem se elas não querem ser minhas amigas, eu vou ficar legal" é ruim, mas ter que dizer isso ao seu filho é muito pior.

É aí tem a máxima..."são só crianças. Amanhã estão às boas". São. E estarão. Mas a experiência me diz que o caráter aparece desde cedo. Que a crueldade que se tem aos três anos para se dizer "não sou mais sua amiga", não desaparece. As crianças simplesmente crescem e deixam de ser honestas ou pelo menos tão diretas. Também não tem mais que lidar com uma "tia" que prega que todo mundo é amigo de todo mundo, e não precisa tanto esforço pra se voltar às boas tão rápido.

Antes de dormir, ela recomeçou a contar a história, confusa e triste, pelo meio teve um "ninguém é minha amiga" depois de uma sequência de nomes que me cortou o coração. Eu disse a ela que amizade é uma coisa complicada, que não precisa de pressa, que ela florece naturalmente com o tempo e que eu estou aqui. Lá dentro, queria blindá-la, como se houvesse a opção de simplesmente ser feliz...

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